30 outubro 2011

Herbário da Nossa Terra - Castanhas e Castanheiro

Continuamos com as àrvores e frutos de Outono.
O frio já chegou e finalmente sente-se o cheiro das lareiras acessas, e em Ourém já se vê a senhora das castanhas assadas que timidamente apregoa: "boas e quentes".
pensa-se que o castanheiro surge na Península Ibérica por mão dos romanos.
O fruto desta árvore, a castanha, acompanha o Homem desde a pré-história, por ser um alimento muito rico, que hoje é substituível pela batata.
A castanha que comemos é, de facto, uma semente que surge no interior de um ouriço (o fruto do castanheiro). Mas, embora seja uma semente como as nozes, tem muito menos gordura e muito mais amido (um hidrato de carbono), o que lhe dá outras possibilidades de uso na alimentação. As castanhas têm mesmo cerca do dobro da percentagem de amido das batatas. São também ricas em vitaminas C e B6 e uma boa fonte potássio.
As castanhas são comidas assadas ou cozidas com erva-doce. Mas, antes de cozinhadas, deve-se retalhar a casca. Como se pode ver no quadro, têm bastante água e, quando são aquecidas, essa água passa a vapor. A pressão do vapor vai aumentando e "empurrando" a casca e, se esta não tiver levado um golpe, a castanha pode explodir.
A castanha tem ainda aplicações na medicina; as folhas, a casca, as flores e o fruto têm sido utilizados devido às suas propriedades curativas e profiláticas, adstringentes, sedativas, tónicas, vitamínicas, remineralizantes e estomáquicas.
Pelo seu valor nutritivo e energético, era utiliza outrora em vários estados de mal-estar e doença. É também tónica, estimulante cerebral e sexual, anti-anémica (castanha crua), anticéptica e revitalizante. Para afinar as cordas vocais e debelar a faringite e a tosse nada melhor do que gargarejos com infusão de folhas de castanheiro ou de ouriços.
 

Castanheiro do Tio Ramiro em Pinhel

pormenor de folhas e ouriços

ouriço aberto com as castanhas

23 outubro 2011

Herbário da Nossa Terra - Medronheiro e medronhos



Estamos na melhor época para preencher o nosso blogue com as frutas de Outono. O ano de 2011 parece ter apanhado gosto pelo Verão e não o queria largar por nada! Mas hoje, creio que temos um verdadeiro dia de Outono e, para contrariar, venho dar um pouco de cor a este herbário com os medronhos.
O medronheiro é um arbusto ou pequena árvore de folha persistente. Esta árvore pode atingir os 8 a 10 m de altura, embora digam que, normalmente, não passa dos 5 metros. O medronheiro possui copa arredondada, dotada de um tronco coberto por uma casca castanha ou vermelha, fissurada que se desprende nas árvores já mais antigas.
As suas folhas são muito parecidas com as do loureiro (um pouco mais arredondadas) e medem entre 4 a 11 cm de comprimento. As folhas apresentam uma cor cinzento - esverdeadas e facilmente se reconhecem por serem tão brilhantes e enceradas. A parte superior da folha é mais escura e a inferior mais pálida.
As flores são brancas com toques cor de rosa, são flores pequenas que surgem no Outono em cachos pendentes de até 20 flores, entre os frutos do ano anterior.
Os frutos  são uma baga  redonda e verrugosa com aproximadamente 3 cm de diâmetro.   Os seus frutos surgem nos raminhos verdes dando cor à árvore, uma vez que nascem amarelos e progressivamente vão  tornando-se vermelhos.
O Medronheiro desenvolve - se nos bosques, no mato e nas regiões rochosas, principalmente em solos ácidos, da Península Ibérica à Turquia.

Na nossa freguesia esta cultiva - se como árvore de fruto e como árvore ornamental, já que quando está carregadinha de frutos e flores é uma árvore muito bonita.
Além de ser usual o emprego da rama nos arranjos de mesa dos casamentos tradicionalmente realizados em casa ou nos salões de festas,  há ainda quem utilize o fruto para fazer licores, aguardentes, compotas e conservas. 

Curiosidade engraçada: O medronho amadurece na mesma altura em que o medronheiro esta a dar flor. Logo é possível ver flor e fruto em simultâneo no medronheiro, sendo que a flor presente é a que irá dar fruto após 10 meses (tempo de amadurecimento). Sem dúvida que é curioso estar a apanhar medronhos e poder ver as flores que irão dar fruto no ano seguinte.


Atenção: Os medronhos são também famosos pela capacidade de provocar embriaguez e dor de cabeça a quem consome muitos, uma vez que quando maduros, possuem uma certa quantidade de álcool, que fermenta posteriormente no estômago, introduzindo níveis de álcool no sangue.


Medronho no meu jardim
pormenor da flor

medronhos verdes e um maduro

medronhos  prontos a comer

16 outubro 2011

Herbário da Nossa Terra - Nozes e Nogueiras

E porque as Feiras de Santa Iria já andam por aí a anunciar a proximidade do Dia de Todos os Santos, vulgarmente chamado (na nossa terra) de Dia do Bolinho, há que cuidar um pouco do cultivo dos frutos secos na nossa Freguesia.
Na casa da minha avó, aprendi a amassar bolinhos, cuja base era a massa do pão, à qual acrescentávamos o que havia em casa. No nosso caso, juntava-mos ovos, açúcar, raspa de limão,canela e erva-doce, aguardente, uva-passa, pinhões e nozes.
Já abordámos aqui a questão das uvas, e por isso venho aqui hoje falar das nozes e das nogueiras.
Há muitas casas particulares que têm pela freguesia uma ou duas nogueiras, mas comecei a reparar que há quem tenha também um ou outro nogueiral. Estas árvores são plantadas com o objectivo de obtenção do fruto, a noz. A grande particularidade das nogueiras é adaptarem-se a uma grande diversidade se solos.
Quanto ao fruto, a noz, é aplicada na alimentação mediterrânica, e apesar de por cá ser mais frequente o seu consumo como aperitivo ou em bolos, as nozes ligam muito bem em saladas de agrião, ou de alface com rodelas de laranja, etc. Além disto, a noz é beneficial porque contém  um aminoácido usado pelo corpo para produzir o óxido nítrico, ajudando a dissolver gorduras más do  organismo. O alimento contém ainda antioxidantes e ácido alfa-linolênico, uma substância à base de plantas com propriedades beneficiais à saúde.
  Recomenda-se o consumo diário de 28gr de nozes por dia.



Nogueiral das Galegas

Pormenor da noz na nogueira

noz limpa

noz aberta e o quebra-nozes que o meu avô ensinou a usar

Tádega


Esta planta da família Asteraceae dá pelo nome científico de Dittrichia viscosa (L.) Greuter (sin. Inula viscosa (L.) Aiton e Cupularia viscosa (L.) Gren. & Godr.).
É uma planta comum em toda a Região Mediterrânica, donde é originária, mas foi também introduzida nos Estados Unidos, onde é considerada como planta invasora.
Em Portugal é conhecida pelas designações comuns de Táveda-de-folhas-estreitas, Táveda-de-folhas-de-charuto, Tádega e Tágueda, além de outras.
É uma planta muito resistente à secura do Verão, florescendo de Junho a Outubro e nesta altura, em que a maior parte das plantas herbáceas já terminou o seu ciclo anual e ainda não se iniciou um novo, ainda ela tinge, com o amarelo das suas flores, muitos terrenos incultos e a beira dos caminhos em grande parte do território de Portugal Continental.

09 outubro 2011

Herbário da Nossa Terra - Azeitona e Oliveiras

azeitonas

pequeno olival à entrada de Pinhel - clicar na imagem para ampliar

A azeitona já está preta!
Já se pode armar aos tordos.
Diz-me lá ó cara linda,
Como vais de Amores novos?

É mentira, é mentira,
É mentira sim senhor!
Eu nunca pedi um beijo!
Quem me deu foi meu amor!

02 outubro 2011

Herbário da Nossa Terra - Agrião bravo

Num dos vários passeios que fazemos pela freguesia, encontrámos o agrião bravo em flor.
Todas as fontes, ribeiros ou zonas de água, costumam ter agrião por cá.
A sua utilização a nível Gastronómico é comum em sopas, saladas e mesmo em bolos (o mais conhecido é o Charrque).
O agrião é ainda um excelente anestésico local, descongestionante do baço, digestivo, excitante hepático... 
É ainda indicado para quem sofre de aftas, problemas de bexiga, dores de dentes ou gengivas e também da garganta.


Pormenor de Agriões

25 setembro 2011

Herbário da Nossa Terra - Marmelos

Os marmeleiros são pequenas árvores cujo fruto é vulgarmente conhecido como marmelo.
Os gregos consagravam estas “maçãs de ouro” à deusa Afrodite e na Croácia são símbolos de fertilidade e vida.
Em Portugal é colhido no Outono, geralmente transformado em marmelada, visto que a maioria das variedades é amarga e dura demais para consumo cru. Também se consome assado, grelhado, estufado, como complemento a recheio de tarte de maçã e em pudim.
A nossa freguesia é adornada destes arbustos, e por isso creio que seja de tradição antiga o uso deste fruto na nossa gastronomia. Hoje por exemplo foi dia de fazer marmelada aqui em casa, e confesso que não é habitual utilizar o fruto para mais fins, mas a vizinha coze os marmelos como se fossem maçãs e depois polvilha com açúcar e canela.
Na medicina, por serem bastante ricos em pectina, tanino e substâncias gelatinosas, os marmelos costumavam ser ministrados na Idade Média a quem sofria de diarreia e a geleia vegetal resultante da semente do fruto demolhada é um bom xarope (ainda usado no Médio Oriente) para inflamações da faringe, bronquites, tosse e dores de garganta. Para catarros da faringe e brônquios, recomenda-se cozer 5 g de sementes de marmelo trituradas com 5 ml de água, misturado com xarope de malvaísco e tomado às colheres. Outras propriedades do marmelo são a adstringência, anti-oxidação, a riqueza em vitamina A, cálcio, ferro e fibra, decorrendo pesquisas quanto às suas propriedades anti-virais e no combate à úlcera gástrica.
Mas nem tudo é bom neste fruto ou na sua árvore, uma vez que é dela que se extrai a famosa vara de marmelo.... mas como não sou desse tempo, em vez de partilhar, ficarei à espera das vossas historias genuínas que melhor poderão explicar o que são as varas de marmelo!

Marmelos
os marmelos desde sempre que foram a fruta predilecta para a pintura de naturezas-mortas, devido à sua forma remetida a alguma sensualidade e devido ao seu aroma. Ainda hoje há quem não dispense ter os marmelos a decorar fruteiras, servindo os frutos como ambientadores naturais.

18 setembro 2011

CRC S.Gens

O Centro Recreativo e Cultural S. Gens volta a ganhar vida.
São diversos os convívios que o S. Gens tem vindo a promover. Hoje a Secção de Caça organizou mais uma petiscada para toda a população, animada por um grupo de concertinas da região.




11 setembro 2011

Herbário da Nossa Terra - Fernão Pires

Parreiras em Pinhel
Uvas da Vindima no Zambujal

Tanta parra, tanta uva!
Tanta silva e tanta amora!
Tanta menina bonita!
E meu pai sem uma nora!


Como sabem, o mês de Setembro aparece sempre com cheiros de vindima. é muito habitual ver aqui as vinhas vizinhas serem invadidas um pouco mais cedo para fazer a água-pé, e depois, todos os Sábados de Setembro são preenchidos por grandes vindimadas, que além do lavor de tradição, são sempre acompanhadas de muita festa. É por isso que hoje partilho uma das castas mais conhecidas na nossa freguesia.
A Casta Fernão Pires, conhecida pelos antigos da nossa terra como "Farrampil", é uma casta de uva branca, cultivada em diversas regiões do país. Casta nobre e antiga, uma das mais plantadas em Portugal, principalmente nas regiões do centro e sul.
As vinhas tradicionais de Ourém  eram formadas por esta casta e pela tintureira, que juntas deram origem ao que conhecemos hoje como vinho palhete.
Lembro desde pequena ter o fascínio por estas uvas, que apresentam uma cor amarelada, cujos bagos são pontuados por uma pequena pinta preta. Eram as uvas mais doces e as que mais gostava que o meu avô trouxesse para casa.

06 setembro 2011

Uma fotografia "especial"

Por ser com quem e onde


Não era para este "blog"... mas já que aqui caiu, que aqui fique. Tirada na Festa do avante!, no "café concerto", no espaço-Lisboa, com o meu filho João e com o Martinho, o cirurgião que me tirou "o bicho" cá de dentro e responsabilizo (e estou muito grato e amigo) por mais uns anos de vida...

04 setembro 2011

Herbário da Nossa Terra - Crataegus laevigata

Como hoje é dia de festa:

Pilriteiro e Pilritos no Cubo
Pilriteiro, dás pilritos
Porque não dás coisa boa?
Cada qual dá o que tem
Conforme a sua pessoa.

Pilriteiro, os teus pilritos
São por certo coisa boa.
Porque me dás o que tens
És melhor que uma pessoa.

02 setembro 2011

Atouguia - Festas em honra de S. Bartolomeu e Stº António


4 de Setembro

10.00H - Recolha de Andores com Banda Filarmónica
11.00H - Missa Solene seguida de Procissão
12.30H - Abertura do restaurante
14.30H - Concerto com Banda Filarmónica de Outeiro Grande
16.30H - Actuação do Rancho Folclórico de Barreira
18.30H - Actuação das Concertinas de Barrenta
21.30H - Actuação do Grupo Musical "Made in Portugal"


5 de Setembro

12.00H - Abertura do restaurante
18.00H - Missa Solene seguida de Procissão
19.00H - Abertura do restaurante
21.30H - Actuação do Trio Musical "P.A.3"

28 agosto 2011

Herbário da Nossa Terra - figos pingo de mel

Hoje a planta que vos apresento vem com água no bico.
É das primeiras plantas a ser referida na Bíblia, pois foi com suas folhas que Adão se "vestiu", após ter tomado consciência de que estava nu.
O figo comestível era cultivado em todas as civilizações do Mediterrâneo na antiguidade, incluindo os povos egípcios, judeus, gregos e romanos. O figo comestível tinha a vantagem de poder ser secado e se manter adequado à alimentação durante meses. Ai que a Feira de Santa Iria está quase aí!
Os frutos da figueira, mais deliciosos e talvez mais comuns na nossa região, são os chamados figos pingo de mel. Esta denominação vem porque quando o fruto está maduro, apresenta uma gotinha viscosa como o mel na extremidade do figo. Estes apresentam casca de cor verde e o seu interior vai da cor rosada à cor creme.
Eu cá, já me deliciei a fazer estas fotografias, e espero que apreciem e partilhem connosco histórias de figos e figueiras.




Figueira em Pinhel e pormenor dos seus frutos

21 agosto 2011

Herbário da Nossa Terra - Buganvílias

Desde que deixei Lisboa, o que me tem marcado mais em termo de saudades, são as cores e cheiros das plantas que, apesar de ser cidade, por lá existem e cá não. No caminho que fazia para a faculdade, era raro não passar por um restaurante em frente à Marinha, cuja fachada estava completamente adornada por esta planta magnifica que nos atrai devido às cores sublimes que das suas espécies. Desde a fúchia, ao roxo, ao laranja e mesmo as branquinhas que parecem véus suspensos nas varandas em S. Bento.
Talvez esta saudade me faça olhar mais para o meio ao qual voltei. Pela a Atouguia "a cima" são imensas as flores que se vêm nos jardins e mesmo quintais. Poderia escolher qualquer uma, mas a escolha recaiu para a buganvília que, quase posso dizer, me viu crescer. Fica aqui em Pinhel, e acredito que imensa gente passa por ela diariamente, sem sempre notar a sua beleza.
Apesar de não ser uma planta de origem mediterrânea, ela dá-se muito bem no nosso clima. Trata-se de uma trepadeira já muito comum em território nacional, sendo a cor roxo mais predominante. As folhas coloridas são agrupadas em 3 e em forma de coração, protegendo a verdadeira flor que emerge no topo de um pequeno tubo, sendo a sua cor amarela ou branca.


07 agosto 2011

Gente da nossa terra

No Domingo passado partilhei no nosso herbário o Louro.
Estava um pouco esperançosa que os nossos leitores partilhassem o nome de pessoas ilustres da nossa freguesia.
Como tal não aconteceu, venho hoje homenagear um senhor da Atouguia, a quem sempre achei piada, até porque tem algumas semelhanças com o meu avô. Trata-se do Sr. Agostinho.
Há quem lhe chame Santo Agostinho da Atouguia. Santo ou não, foi pastor, foi acólito, trabalhou da terra até poder, e nas ultimas festas da Atouguia, fez questão de pousar para a fotografia, pois já que a menina fotografava os andores, também Agostinho era merecedor de atenção.
Elegante, mas pouco falador, o seu pezinho sempre no ritmo da música, deixava claro que, em tempos longínquos, fora um grande dançarino...


Herbário da Nossa Terra - Foeniculum vulgare, L.

fotografia no Talho do Junco em Pinhel

fotografia do  pormenor da flor, Talho do Junco em Pinhel
Esta planta é conhecida pela generalidadedas pessoas principalmente por ser bastante frequente na nossa freguesia, mas também pelas utilizações que tem. É originária da zona mediterrânica de onde se expandiu para o resto da Europa, estando presente em clareiras, beiras de caminhos, perto de povoações e até mesmo perto do mar.

No que toca ao seu aroma paladar, é inevitável a semelhança com o anis. No entanto, existem diversas variedades de funcho, desde as mais doces às mais amargas, havendo ainda o aneto, largamente confundido com o funcho apesar de ser uma espécie distinta.

Morfologicamente, pode-se caracterizar o funcho como uma grande umbelífera (designação que é devida à forma que as suas flores assumem) que pode atingir alturas acima de 2metros em muitos casos. Possui folhas largas, compridas e moles, e sementes fusiformes que geralmente aparecem no Verão e que possuem um cheiro muito intenso.
Medicinalmente, podem-se utilizar as suas folhas, raíz, e principalmente as sementes devido a um composto, o anetol, que aí existe em maior quantidade. Possui propriedades digestivas, antiespasmódicas, expectorante, aperitivo, diurético, galactogo e carminativo. Em infusão, encontrei algumas infirmações que referem a raíz como sendo bom para o alívio de cólicas e diarreias, e as folhas no tratamento de bronquites.
Segundo algumas referências, o seu uso na alimentação já foi mais comum do que é hoje em dia, tendo sido usado em cozinhados com feijão e grão por exemplo. Hoje em dia o seu papel na alimentação não é tão relevante, sendo que na maior parte dos casos já só é usado para aromatizar castanhas, azeitonas e alguns pratos de peixe.

01 agosto 2011

Herbário da Nossa Terra - Laurus nobilis

Diria que não há casa nesta freguesia que não tenha um loureiro no jardim ou mesmo no quintal. A minha avó tinha o seu loureiro majestoso mesmo a beira do portão, e sempre que era necessário louro para condimentar os alimentos, quase que só tinhamos de esticar a mão. Mais do que uma planta comum no nosso concelho, as suas folhas são quase indispensáveis na nossa gastronomia... que, por vezes me parece estar a ser perdida!
Esta planta é também simbólica de feitos heroicos, sendo que desde a Grécia Antiga os heróis eram homenageados com uma coroa de louros....
Será que os heróis da nossa freguesia são tantos como a quantidade de loureiros que por aí se vêem?

loureiro da minha avó

pormenor do loureiro

24 julho 2011

Herbário da Nossa Terra - Rubus ulmifolius

Foto tirada na Rua da Escola em Pinhel
Elas estão mesmo aí! A foto é de ontem e posso garantir que as pretinhas já estavam bem docinhas.
Nascem de uma planta designada como Rubus ulmifolius, vulgarmente chamada silva. As plantas crescem até 3 metros tornando-se cada vez mais numa praga que ocupa os terrenos que vão sendo abandonados pela nossa freguesia. Os frutos são usados para a composição de sobremesas, compotas e, por vezes, vinho.
A amoreira-silvestre é composta por longos caules curvos, com espinhos curtos, levemente encurvados e aguçados. Quando os caules tocam no chão ganham frequentemente raízes laterais, dando origem a um novo pé de silva, tornando-se uma espécie invasora persistente, colonizando vastas áreas por longos períodos. Tolera facilmente solos pobres, sendo uma das primeiras plantas a colonizar baldios e terrenos de construção abandonados.
As flores brancas ou rosadas, florescem de Maio, dando, após a frutificação, as amoras de uma cor vermelha e, depois, negra. É a partir de agora que pode começar a apanhar as amoras. Se quiser, partilhe connosco as suas iguarias com este fruto silvestre, que eu, pessoalmente, adoro!

18 julho 2011

Girassol(Tournesol)


Planta usada no combate ao colesterol. As folhas desta planta contêm quercimetrina (glicósido flavenóide) e histidina. As sementes de girassol contêm um óleo rico em ácidos gordos polinsaturados, entre eles o linoleico e algumas vitaminas A, B e E. Actua no tratamento da arteriosclerose fazendo baixar os níveis de colesterol. É bom para as diabetes, para as doenças hepáticas e afecções da pele. Tem também acção expectorante e balsâmica.
O óleo das sementes de girassol pode-se utilizar na alimentação, as flores e caules tenros pode-se fazer chá que poderá beber-se duas a três vezes ao dia.
Esta foto foi tirada no meu quintal.

10 julho 2011

Herbário da Nossa Terra - Origanum virens

Não há cantinho da nossa freguesia que não tenha por jardins, terrenos ou pinhais, desta erva aromática, que, no nosso concelho é pouco utilizada a nível gastronómico. Começa a ser usada com as "modernices" e tenho para mim que pela divulgação das Tele-culinárias antigas que as nossas mães têm, ainda hoje, por casa.
Não sei muito da história desta planta, apenas que é típica do Mediterrânico. Seca ou fresca é usada como tempero (substituindo até o sal) e liga muito bem com quase tudo que tenha tomate, nomeadamente saladas, refogados.... Nos belos caracóis e no queijinho fresco ou requeijão, também não dispenso um pouco de orégãos,  se bem que acho já ser hora de os nossos leitores partilharem as suas iguarias e receitas connosco.

Molho de orégãos do Zambujal

03 julho 2011

Herbário da Nossa Terra - Erica cinerea

Estava eu aqui o olhar para um frasquinho de mel, quando me lembrei destas plantas, cuja flor encanta pelo seu agradável aroma e pelas suas cores vivazes. Trata-se de um arbusto que pode medir entre 15cm a 1m, predominante em todo território nacional.  Encontra-se verde todo o ano, com uma raiz que se ramifica profundamente, apresenta também as ramas amareladas e vermelhas. As flores apresentam uma cor lilás e rosada, sendo raramente brancas, estando dispostas nas ramas terminais com 3 e 4 cm.
O fruto é uma cápsula redonda que se abre facilmente em 4 partes.
Desempenha um papel fundamental na fixação de nevoeiros, provocando a sua condensação e posterior infiltração e armazenamento da água no lençol freático.
As suas ramas floridas servem como astringente e antiséptico das vias urinárias, especialmente indicado contra as inflamações da vagina, considerando-se também como diuréticos. As flores da urze são muito visitadas pelas abelhas mas produzem um mel de média qualidade com uma cor amarelada.
Urze - foto tirada nas Galegas
Emprega-se muito as urzes para secar os fornos de cozer pão, assim como para acender o lume substituindo a carqueja. Há ainda quem faça vassourinhas com esta planta.

27 junho 2011

Myrtus(Murta)


Murta, é um género botânico que compreende uma ou duas espécies de plantas com flor, da família das Myrtaceae, nativo do sudoeste da Europa e do norte de África. São plantas arbustivas de folha persistente. As flores são brancas, tem cinco pétalas e um numero elevado de estames, o fruto é uma pseudobaga carnuda azul escura contendo várias sementes.
O seu habitat preferencial é em terrenos secos. Na mitologia Grega, a murta era consagrada a Afrodite. O mesmo aconteceria na mitologia Romana em que Venus recebia o título de Murcia, que a relaciona a esta planta. Desde a antiguidade que esta espécie está relacionada com rituais e cerimónias solenes, já os gregos a utilizavam para adornar as noivas com grinaldas .
Quem não se lembra dos arcos nas festas que embelezavam os adros enfeitados com murta, cordas com vários metros de comprimento que enfeitavam os arraiais .

26 junho 2011

Herbário da Nossa Terra - Achillea Ageratum

Por esta altura é muito comum avistarmos estes tufos amarelos de umas flores estranhas que lembram malmequeres sem pétalas.
Esta planta tem como nome científico achillea ageratum, sendo utilizada de forma ornamental, mas também para chás. Na nossa freguesia e concelho encontramos muito desta planta, que é quase uma milagreira. Indicada para hemorragias internas e externas, o chá que se obtém com esta planta é analgésico para cólicas, dores de estômago, de dente e cãibras. É ainda anti-inflamatório para os rins, bexiga, intestinos. Baixa a febre e a pressão arterial.
Esta planta encontra-se em terrenos abandonados, com recursos de água e muito sol. A sua floração é habitual durante Julho e Setembro, começa agora a altura de apanhar o seu molho desta planta para secar e depois fazer o chá.

21 junho 2011

Pessoas e Lavores da nossa Terra

Hoje foi dia de mais um passeio. Podemos dizer que começou no Vale da Perra e que terminou perto do Escandarão.
Para mim foi uma aprendizagem, não só pelas maravilhas naturais que observámos, mas também pela descoberta do nome da zona de uns terrenos de amanho entre Pinhel e Escandarão. Com terra muito fértil, e dividido pela Ribeira de Seiça, este lugar é chamado de as Galegas. Da pequena pesquisa que fiz, creio que o nome tem origem na Galega officinalis. Esta planta é indígena de Portugal e que no passado foi cultivada como planta forrageira porque estimula a produção de leite. 
Naquelas terras podemos encontrar um pequeno campo de nogueiras, pomares, milhais e grandes hortas. É isto mesmo que partilho convosco hoje, a horta e os apanhadores de batatas das Galegas.





19 junho 2011

Herbário da Nossa Terra - Xolantha guttata

fotografia tirada no Campo de S. Gens
Hoje escolhemos uma planta muito pequena que se confunde com malmequeres, pertencente à família das estevas.
A flor é composta pétalas amarelas, geralmente com mancha purpura central de tamanho variável.
O seu nome vulgar é Tuberária-mosqueada ou Erva-das-Criadilhas. Este último surge porque se diz que onde há Criadilhas (um género de cogumelo que se encontra debaixo do solo como a trufa) tem de haver uma planta destas. Curiosamente não tenho conhecimento que este fungo seja usado na gastronomia desta região.
Esta planta é ainda indicadora de secura e solos ácido, propagando-se por matagais ou solos abandonados.

12 junho 2011

Cynara scolymus ( Alcachofra)


Planta herbácea, vivaz, que pode atingir até um metro de altura. Folhas grandes, por vezes muito divididas, alongadas, verdes na página superior e esbranquiçadas na inferior. Distingue-se principalmente pela flor, lilás ou roxa.
A floração dá-se nos meses de Maio/Junho. Todos os cardos são por norma comestíveis e muito ricos em sais minerais e vitaminas .
Pelo Sto. António é costume em Portugal chamuscarem-se as alcachofras nas fogueiras, deixando-as em água fria durante a noite. Na manhã seguinte a alcachofra, à semelhança de uma, Fénix, renascerá das próprias cinzas e voltará, a florir, concedendo-nos um desejo pedido à meia noite. Uma outra tradição popular manda colocar uma alcachofra ardida num vaso com terra, se no dia seguinte estiver novamente florida é sinal de casamento.